Quando a inflamação atinge pés e dedos, pode haver lipolinfedema, condição que amplia o risco de infecções e exige mudança no cuidado
Foto Profissional. (Crédito: FreePik)
Uma mudança aparentemente simples, o sapato que aperta no fim do dia ou o dedo do pé que passa a inchar, pode ser um alerta importante para quem tem lipedema. No quadro clássico, o acúmulo de gordura costuma preservar pés e mãos. Quando essas áreas deixam de ser poupadas, há necessidade de avaliação para identificar um possível lipolinfedema, associação entre lipedema e comprometimento da drenagem linfática.
O sinal é facilmente confundido com calor, retenção de líquido ou ganho de peso. O risco é tentar resolver o problema por conta própria, com diuréticos ou procedimentos isolados, e adiar uma investigação que pode mudar o plano de cuidado.
“Pé inchado em uma pessoa com lipedema não é algo para normalizar. É preciso avaliar se existe componente linfático, assimetria, alteração da pele ou outra causa clínica para o aumento de volume”, afirma a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, @marimilazzotto, mestre em Ciências Médicas e especialista em reabilitação funcional.
Mudança vai além do volume
No lipolinfedema, o problema não se resume à aparência das pernas. A drenagem linfática comprometida pode causar sensação de peso, dificuldade para caminhar, limitações de movimentos e alterações na pele. Em situações mais graves, fissuras e lesões específicas aumentam a vulnerabilidade a infecções, como a erisipela.
Entre os sinais que devem motivar a avaliação estão o inchaço persistente nos pés e dedos, marca que permanece após pressionado a pele, resistência do tecido, novas diferenças entre as pernas, mudança na textura da pele e episódios de ocorrência, calor local ou febre.
“O diagnóstico não deve ser feito por fotografias ou comparações nas redes sociais. É uma avaliação clínica que considera o histórico, o exame físico e a exclusão de outras causas de edema”, diz Mariana.
O que muda no cuidado
Em casos de lipolinfedema, a terapia física descongestiva assume o centro do tratamento, com drenagem, enfaixamento e compressão de manutenção mais robusta. A compressão passa a ser contínua e o cuidado com a pele vira prioridade pelo risco de erisipela.
“Não se trata de prometer redução rápida de medidas. O foco é controlar sintomas, preservar a mobilidade, proteger a pele e evitar complicações”, conclui Mariana.
Sobre a Mariana Milazzotto
Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, @marimilazzotto é mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.







