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    Home»Saúde»Dia das Mães: Congelamento de óvulos nas empresas pode trazer equilíbrio entre vida pessoal e carreira
    Saúde

    Dia das Mães: Congelamento de óvulos nas empresas pode trazer equilíbrio entre vida pessoal e carreira

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM12 de maio de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Movimento acompanha adiamento da maternidade e pressiona empresas a rever políticas de carreira

    Em um cenário em que carreira e maternidade deixaram de seguir uma lógica linear, empresas começam a incorporar novas soluções para responder a essa transformação, e o congelamento de óvulos passa a ganhar espaço como benefício corporativo. A discussão ganha ainda mais relevância no contexto do Dia das Mães, ao evidenciar como o tema da maternidade vem sendo ressignificado dentro e fora das organizações.

    O avanço desse tipo de benefício acompanha uma mudança demográfica relevante. Dados do IBGE mostram que a idade média das mulheres ao se tornarem mães no Brasil subiu de 25,3 anos em 2000 para 27,7 anos em 2020, chegando a 28,1 anos em 2022. Ao mesmo tempo, a proporção de mães com até 24 anos caiu de 31,1% em 2003 para 23,6% em 2023, indicando que os nascimentos estão cada vez mais concentrados em idades mais avançadas.

    A tendência deve se intensificar nas próximas décadas, e as projeções do instituto apontam que a idade média da maternidade pode chegar a 31,3 anos até 2070, refletindo mudanças estruturais como maior escolaridade, inserção das mulheres no mercado de trabalho e planejamento familiar.

    Para Phillip Wolf,      especialista em reprodução humana e sócio-fundador da clínica Genics, o movimento sinaliza uma mudança estrutural na relação entre empresas e colaboradores. “A gente está diante de uma mudança  na relação entre carreira e maternidade. Não é mais uma decisão linear, e as empresas começam a perceber que, se não acompanharem esse movimento, perdem competitividade na atração e retenção de talentos femininos.”

    Na prática, o congelamento de óvulos passa a integrar uma nova lógica de benefícios corporativos, mais voltada à individualização e ao ciclo de vida do colaborador. A tendência acompanha o que já acontece no mercado internacional, onde empresas como Google e Meta passaram a incluir o procedimento em seus pacotes de benefícios, influenciando a adoção gradual em outros mercados, incluindo o Brasil.

    Benefícios atraentes

    Atualmente, as maneiras que as companhias encontram para estruturar esse tipo de iniciativa passam pela contratação de fornecedores especializados, como clínicas de reprodução humana parceiras. Além disso, incluem coberturas em planos de saúde específicos, subsídios e políticas de reembolso.

    Nesse contexto, na opinião de Phillip Wolf, a tendência é que os benefícios corporativos evoluam para soluções mais alinhadas aos diferentes momentos de vida dos profissionais. “O que a gente começa a ver é uma sofisticação no que se oferece ao colaborador. Eles deixam de ser genéricos e passam a refletir decisões importantes da vida das pessoas. Nesse cenário, programas de apoio à maternidade, que podem incluir o congelamento de óvulos, tendem a ganhar espaço como diferencial competitivo”, comenta. 

    Apesar do avanço, o tema ainda carrega desafios importantes. O custo do procedimento pode ultrapassar R$ 15 mil por ciclo, o que historicamente limitou o acesso a um público mais restrito. No entanto, clínicas especializadas já vêm estruturando modelos mais flexíveis, com opções de parcelamento e condições facilitadas, ampliando gradualmente a viabilidade para empresas e pacientes.

    “O custo ainda é um ponto de atenção, mas o mercado já começou a se adaptar. Hoje, existem formatos mais flexíveis, com parcelamentos e modelos viáveis tanto para empresas quanto para pacientes. Isso tende a acelerar a adoção do benefício nos próximos anos”, explica Wolf.

    Além da questão econômica, especialistas também apontam um debate ético relevante. Se, por um lado, o benefício representa um avanço ao oferecer mais autonomia às mulheres, por outro, pode ser interpretado como um incentivo indireto ao adiamento da maternidade em função da carreira.

    “Existe uma linha tênue entre oferecer uma possibilidade e gerar uma expectativa. Se a empresa não tiver clareza na forma como posiciona esse benefício, ele pode ser interpretado como um incentivo indireto ao adiamento da maternidade. Isso exige maturidade na gestão e na comunicação”, avalia o sócio-fundador da Genics.

    Do ponto de vista técnico, o procedimento segue protocolos bem estabelecidos. O processo começa com uma avaliação individualizada, que inclui histórico clínico e exames hormonais, como o Hormônio Antimülleriano, utilizado para estimar a reserva ovariana. A partir disso, é estruturado um planejamento personalizado, considerando idade e objetivos reprodutivos.

    As etapas seguintes envolvem a estimulação ovariana, a coleta dos óvulos e o congelamento. Apesar da complexidade, o processo pode ser concluído em cerca de três a quatro semanas.

    Para Wolf, o avanço desse tipo de benefício não deve ser analisado de forma isolada, mas como parte de uma mudança mais ampla na gestão de pessoas. “O congelamento de óvulos não pode ser visto como uma solução isolada. Ele faz parte de uma agenda maior de gestão de pessoas. Empresas que tratam isso como uma estratégia integrada, com políticas de carreira, flexibilidade e cultura, tendem a capturar muito mais valor do que aquelas que enxergam apenas como um benefício pontual”, finaliza. 

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