O incêndio no “Lixão do Ferraz”, nome dado pelos irandubenses ao depósito irregular de resíduos localizado no Km 6 da rodovia Manoel Urbano (AM-070), completa hoje (20) uma semana em chamas e o município de Iranduba já enfrenta outro problema: a formação de um novo lixão a céu aberto.

Sem ações e interesse da prefeitura local para resolver a destinação de resíduos no município, moradores da Comunidade Ariaú, no Km 37 da AM-070, denunciam que desde o início do fogo no lixão, caminhões, veículos de empresas e de particulares começaram a despejar lixo em uma área a poucos metros da entrada de suas casas, ocupando uma região de mata nativa e iniciando uma nova tragédia socioambiental.

Ainda de acordo com os moradores, com o deposito antigo interditado pelo fogo e pela fumaça, o lixo que continua sendo produzido diariamente em Iranduba agora tem um novo destino.

“Não queremos que aqui se transforme em um novo ‘Lixão do Ferraz’. Estão jogando tudo aqui, principalmente de noite e de madrugada, inclusive com caminhões. Já denunciamos e a prefeitura não respondeu. Com esse calor, o mau cheiro já toma conta e sem fiscalização, o risco é aumentar e começar um novo incêndio”, alertou a moradora Daniele Rocha.

Além do mau cheiro, moradores também alertam que a área irregular já começa a apresentar os primeiros sinais de moscas, urubus e roedores.

Ministério Público

Enquanto o lixo continua a se acumular no Ariaú, os moradores relatam que a área possui balneários, igarapés e nascentes nas proximidades que também correm risco de contaminação com o novo depósito.

A população da comunidade também critica a falta de ações e políticas da gestão Ferraz para resolver questões básicas de infraestrutura e saneamento e que, segundo eles, o prefeito só estaria interessado na campanha eleitoral de sua esposa este ano.

“Cadê o pessoal que defendia o ‘Lixão do Ferraz” e que lutava pelo meio ambiente em Iranduba? A nossa saúde, dos nossos filhos e da nossa família está ameaçada com o lixo deles. A gente só quer uma solução que não seja jogar o problema de um lado para o outro”, questiona um morador da comunidade, que preferiu não se identificar.

Nos próximos dias, a comunidade vai apresentar, oficialmente, a denúncia e o caos socioambiental em Iranduba no Ministério Público do Amazonas, na Defensoria Pública e em órgãos ambientais estaduais e federais.

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