Dados do IBGE indicam mudanças no perfil etário das mães brasileiras; reprodução assistida pode ser alternativa para mulheres que desejam ter filhos mais tarde

Crédito: Shutterstock

Estudar, fazer carreira, conquistar estabilidade financeira e realizar projetos pessoais antes de ter filhos fazem parte das escolhas de muitas mulheres, e a maternidade acaba planejada para uma fase mais avançada da vida. Algumas chegam à perimenopausa ainda com o desejo de ser mães.

A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa. Nessa fase os ciclos menstruais podem ficar irregulares e a ovulação fica menos previsível, mas continua acontecendo. A menopausa só se confirma depois de 12 meses seguidos sem menstruação. Ou seja, entrar na perimenopausa não encerra, por si só, a possibilidade de gravidez. Para o embriologista Philip Wolff, sócio-fundador da Genics, a diferença entre as duas fases precisa ficar clara.

“É importante diferenciar a perimenopausa da menopausa. Mesmo com ciclos irregulares, a mulher ainda pode ovular e engravidar. O que muda é que a fertilidade diminui progressivamente com a idade, principalmente pela redução da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos”, afirma Wolff.

A mudança no perfil etário da maternidade pode ser observada nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2004 e 2024, a participação dos nascimentos de mães com até 24 anos caiu de 51,7% para 34,6%. No mesmo período, os nascimentos entre mulheres de 35 a 39 anos passaram de 204,6 mil para 327,4 mil. Entre as de 40 anos ou mais, de 59,9 mil para 102,8 mil.

Nascimentos por idade da mãe, Brasil

Faixa etária20042024
Até 24 anos (participação)51,7%34,6%
35 a 39 anos204,6 mil327,4 mil
40 anos ou mais59,9 mil102,8 mil

Fonte: IBGE.

Os dados acompanham a decisão de adiar a maternidade para depois da formação acadêmica ou de uma situação financeira mais estável, e parte dessas mulheres passa a incluir o planejamento reprodutivo na conta.

Entre as possibilidades está o congelamento de óvulos. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que, em 2020 e 2021, foram realizados mais de 21 mil ciclos de congelamento de óvulos no Brasil, com 154.630 óvulos criopreservados, segundo o relatório da agência sobre reprodução humana assistida.

A fertilização in vitro (FIV) também pode ser uma alternativa para quem quer engravidar mais tarde. No procedimento, os óvulos são coletados e fertilizados em laboratório, e o embrião é transferido para o útero depois. Na perimenopausa, a técnica pode ser considerada desde que haja indicação e condições clínicas, e a estratégia é definida caso a caso, com os óvulos da própria paciente ou, em algumas situações, com óvulos doados.

A idade pesa na avaliação da FIV, sobretudo quando se usam os óvulos da própria paciente. As chances de sucesso dependem também da reserva ovariana, da qualidade dos óvulos, das condições do útero e de outros fatores individuais. Quando há doação, as características da doadora também influenciam o resultado. Wolff diz que isso muda a forma de olhar para a reprodução assistida.

“Por isso, a reprodução assistida não precisa ser vista apenas como uma alternativa para situações de infertilidade. Ela também pode fazer parte do planejamento reprodutivo de mulheres que desejam postergar a maternidade e querem conhecer as possibilidades disponíveis para realizar esse projeto no futuro”, diz Wolff.

Para quem já está na perimenopausa e quer engravidar, a avaliação com um especialista em reprodução humana ajuda a identificar as alternativas conforme o momento de vida e o histórico reprodutivo de cada uma.

Wolff diz que a maternidade pode ser planejada para depois de outras conquistas pessoais e profissionais, mas que as possibilidades de concepção variam com a idade e com as condições reprodutivas de cada mulher.

“A possibilidade de gravidez não desaparece com o início da perimenopausa, mas as chances de concepção diminuem com a idade. Por isso, mulheres que desejam engravidar nessa fase podem procurar avaliação especializada para verificar as condições reprodutivas e discutir alternativas como a fertilização in vitro, o uso de óvulos previamente preservados ou a ovodoação, quando indicadas. E, claro, não devemos esquecer da oportunidade da ovodoação, que amplia a acessibilidade para este público”, afirma Wolff.

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