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    Home»Saúde»Defensoria recomenda que Estado regularize fornecimento de medicamento para pacientes com esclerose múltipla 
    Saúde

    Defensoria recomenda que Estado regularize fornecimento de medicamento para pacientes com esclerose múltipla 

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM29 de maio de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    Documento enviado à Secretaria de Saúde cobra regularidade no fornecimento de remédio garantido por decisões judiciais e pede estudo para ampliar acesso ao tratamento 

    Pacientes com esclerose múltipla no Amazonas estão passando meses sem receber um medicamento essencial para conter o avanço da doença, apesar da necessidade do tratamento ser aplicado a cada seis meses. Em alguns casos, os pacientes já recorreram à Justiça e obtiveram decisões que obrigam o Estado a fornecer o remédio. Ainda assim, o fornecimento tem sido interrompido sem aviso prévio e sem previsão de retomada. Diante disso, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) emitiu uma recomendação formal à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para que regularize a situação com urgência. 

    Segundo o documento, o caso chegou à Instituição por meio da Associação de Pacientes com Esclerose Múltipla do Amazonas. A doença ataca o sistema nervoso e causa danos que, com o tempo, tem como consequências perda de movimento, visão e equilíbrio.  

    O medicamento Ocrelizumabe (Ocrevus) não cura a doença, mas freia o avanço dela. Por isso, cada dose que atrasa é um período em que a doença pode progredir sem nenhuma barreira. 

    O Estado oferece outro medicamento para esclerose múltipla pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Natalizumabe. Mas nem todos os pacientes conseguem usá-lo, pois alguns têm efeitos colaterais graves e outros não respondem ao tratamento. Para esses, o Ocrelizumabe é a única alternativa real. O problema é que ele não está na lista do SUS, o Ministério da Saúde optou por não incluí-lo por conta do custo alto.  

    Sem acesso pela via pública, os pacientes foram para a Justiça, e ganharam. Mas ganhar na Justiça não resolveu. 

    “O Estado já fornece esse medicamento, mas vem descontinuando. Ele fornece e para sem uma explicação razoável para a interrupção”, disse o defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa). 

    O que a Defensoria recomenda 

    A recomendação orienta que a SES-AM entregue o medicamento a quem está com dose atrasada e organize uma programação de compras que não deixe o estoque zerar. Algo que deveria ser simples, já que o remédio tem periodicidade fixa e o número de pacientes é conhecido. 

    Outra determinação é que o Estado avalie a inclusão do Ocrelizumabe na lista oficial de medicamentos do Amazonas, a Relação Estadual de Medicamentos Essenciais (Resme). Se isso acontecer, qualquer paciente com indicação médica poderá receber o remédio pelo sistema público, sem precisar entrar com ação na Justiça.  

    “Essa questão financeira não pode significar uma barreira para esses pacientes”, pontuou o defensor público. 

    Próximos passos 

    O documento estabeleceu um prazo de cinco dias para a SES-AM responder à Defensoria, informando as medidas adotadas para regularizar o fornecimento do medicamento. No entanto, não houve retorno por parte da secretaria.

    Devido a ausência de resposta, a Defensoria deve avançar nas tratativas para entender os motivos dos atrasos.

    “Vamos convocar a Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) para uma reunião para entender o que está ocorrendo para o Estado estar atrasando a entrega, uma vez que todos os casos já estão judicializados”, afirmou o coordenador do Núcleo da Saúde. 

    Texto: Aline Ferreira

    Foto: Arquivo / DPE-AM

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