Considerado o câncer ocular mais comum na infância, o retinoblastoma pode apresentar sinais perceptíveis no dia a dia; especialista explica quais indícios merecem atenção

Com o Novembro Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer infantojuvenil e à importância do diagnóstico precoce, especialistas reforçam o alerta para o retinoblastoma, o câncer ocular mais comum na infância. Embora raro, o tumor pode apresentar sinais perceptíveis no dia a dia, como o reflexo branco na pupila em fotografias, alterações no alinhamento dos olhos e dificuldade visual. Em entrevista, a médica oftalmologista Dra. Jacqueline Ladeia, especialista do Hospital Oftalmos, explica como a atenção dos pais pode ser decisiva para aumentar as chances de cura e preservação da visão.

1. O que é o retinoblastoma e por que ele é considerado o câncer ocular mais comum na infância? 

É um tumor maligno que se origina na retina, uma camada localizada no fundo do olho e responsável por captar a luz e participar da formação da visão. Ele surge quando alterações genéticas, especialmente no gene RB1, fazem com que células imaturas da retina se multipliquem de maneira descontrolada. Embora seja raro, é também o tumor maligno intraocular pediátrico mais frequente. A doença aparece principalmente nos primeiros anos de vida, geralmente antes dos 5 anos, e pode acometer um olho ou ambos. Na maioria dos casos, a alteração genética surge pela primeira vez na própria criança; portanto, não ter histórico familiar não exclui a possibilidade da doença. O retinoblastoma não é causado por algo que os pais fizeram ou deixaram de fazer, e não há medida de estilo de vida conhecida capaz de prevenir seu surgimento. 

2. Dentro da campanha Novembro Dourado, por que é importante falar sobre o retinoblastoma quando o assunto é câncer infantojuvenil? 

É um câncer raro, mas pode atingir crianças muito pequenas e costuma manifestar-se por sinais que os pais conseguem observar no dia a dia. Quando a família e os profissionais de saúde conhecem esses sinais, aumentam as chances de encaminhamento rápido, tratamento adequado e preservação da vida, do olho e, quando possível, da visão. A informação também ajuda a reduzir dois problemas: a demora em procurar atendimento e a falsa sensação de tranquilidade após um exame neonatal normal. 

3. Como o diagnóstico precoce influencia as chances de cura? O que ainda impede que mais crianças recebam esse diagnóstico a tempo? 

O diagnóstico precoce costuma significar que o tumor ainda está restrito ao olho e apresenta menor tamanho. Nessa situação, há mais possibilidades de controlar a doença com tratamentos que preservam o olho e, em alguns casos, mantêm uma visão útil. Quando o diagnóstico demora, o tumor pode crescer, comprometer estruturas importantes, exigir tratamentos mais agressivos e aumentar o risco de perda visual e de disseminação para fora do olho. As taxas de cura podem ser muito altas, especialmente quando a doença é identificada em fase inicial e tratada em um centro experiente. 

Entre os obstáculos estão o fato de a doença ser rara, os sinais poderem ser intermitentes ou confundidos com problemas comuns, a dificuldade de acesso a um oftalmologista pediátrico e a demora entre a primeira suspeita e o atendimento especializado. Por isso, qualquer alteração persistente ou recorrente deve ser investigada, sem esperar que desapareça sozinha. 

4. Quais são os principais sinais de alerta? 

Reflexo branco na pupila, principalmente em fotografias com flash ou em ambientes escuros, conhecido como leucocoria ou “olho de gato”; surgimento de estrabismo ou agravamento de um quadro já existente; dificuldade para fixar o olhar ou acompanhar objetos, bem como aparente redução da visão; mudanças na aparência, no alinhamento ou nos movimentos dos olhos; vermelhidão persistente, dor ou sensibilidade à luz; e, sobretudo em quadros mais avançados, aumento do olho ou inchaço ao seu redor. A presença desses sinais não significa necessariamente que a criança tenha retinoblastoma, pois eles também podem estar associados a outras condições, algumas simples e outras que exigem atenção urgente. Ainda assim, qualquer alteração ocular nova ou persistente deve ser avaliada por um médico oftalmologista para que a causa seja identificada e, se necessário, o tratamento seja iniciado o mais cedo possível. 

5. Existem sintomas que podem ser confundidos com problemas menos graves? 

Sim. O estrabismo, por exemplo, pode ser interpretado como uma alteração apenas estética, mas, às vezes, surge porque um dos olhos não está enxergando bem. Vermelhidão, dor, sensibilidade à luz ou dificuldade para fixar o olhar também podem parecer sinais de irritação, conjuntivite ou dificuldade visual comum. Na maioria das vezes, esses sintomas têm causas diferentes do retinoblastoma. Mesmo assim, quando são novos, persistentes, recorrentes ou acompanhados de leucocoria, precisam de avaliação médica. Em crianças pequenas, a própria família pode perceber primeiro que a criança não acompanha objetos, esbarra com frequência, fecha um dos olhos ou não utiliza ambos de forma coordenada. 

6. Como é feito o Teste do Olhinho e como ele ajuda? 

Também chamado de Teste do Reflexo Vermelho, é uma triagem simples, rápida e geralmente indolor. O profissional utiliza um aparelho com luz para observar o reflexo que retorna das estruturas internas dos olhos. Em condições normais, o reflexo tende a ser avermelhado e semelhante em ambos os olhos. Um reflexo ausente, esbranquiçado, muito reduzido ou diferente entre os olhos exige encaminhamento para avaliação oftalmológica. O teste pode ajudar a identificar alterações que bloqueiam o eixo visual, incluindo catarata congênita e, em alguns casos, retinoblastoma. Ele não confirma, isoladamente, a doença: o diagnóstico é feito pelo oftalmologista, geralmente por meio de exame detalhado do fundo do olho e dilatação da pupila. 

7. Por que o acompanhamento contínuo é importante em todas as fases da infância? 

O Teste do Olhinho representa um retrato daquele momento e não consegue excluir todas as doenças oculares nem todos os casos que podem surgir posteriormente. O retinoblastoma pode estar presente ao nascimento ou surgir nos primeiros anos de vida. Além disso, algumas alterações visuais, como diferença de grau entre os olhos, estrabismo e ambliopia, também podem se desenvolver ou tornar-se mais evidentes com o tempo. O reflexo vermelho deve ser repetido nas consultas pediátricas de rotina, conforme o acompanhamento recomendado pelo pediatra, e a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista sempre que houver qualquer sinal suspeito. 

8. Quais podem ser as consequências de um diagnóstico tardio? 

O atraso pode permitir que o tumor cresça e cause perda importante da visão, descolamento da retina, dor, inflamação e aumento do olho. De maneira geral, o tratamento varia conforme o estágio da doença e pode envolver terapias locais, quimioterapia e, em casos selecionados, radioterapia ou cirurgia. O planejamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar com experiência em oncologia ocular pediátrica. Em situações avançadas, pode ser necessária a retirada do olho para controle da doença. Se houver extensão para fora do globo ocular, o tratamento se torna mais complexo. 

9. Qual mensagem deixar para os pais neste Novembro Dourado? 

Observem os olhos das crianças, valorizem a caderneta de saúde e as consultas de rotina e não ignorem uma mudança que pareça pequena. Não é preciso entrar em pânico, pois esses sinais podem ter outras causas. Mas também não se deve esperar para verificar se desaparecem sozinhos. O diagnóstico precoce pode salvar vidas, cuidar do olho e aumentar as chances de preservação da visão. 

Sobre o Oftalmos  

Fundado há quase 20 anos, o Oftalmos Hospital de Olhos é referência em oftalmologia no Litoral Centro-Norte de Santa Catarina. Une tecnologia de ponta aos mais modernos equipamentos do mercado, com uma infraestrutura completa para acolher o paciente em todas as etapas do atendimento ocular. No mesmo local, são realizadas consultas, exames, cirurgias e adaptação de lentes. É reconhecido pelo atendimento humanizado e pela excelência no cuidado visual em cada detalhe.  

O Oftalmos de Balneário Camboriú se tornou o único hospital do Litoral Centro-Norte catarinense a ser certificado pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) no Nível 1. Essa conquista comprova a dedicação da marca em garantir a máxima segurança do paciente, a padronização dos processos e a qualidade clínica em todas as etapas do atendimento. O selo ONA reforça o compromisso da instituição em oferecer práticas assistenciais alinhadas aos mais altos padrões nacionais de saúde, proporcionando confiança e tranquilidade para quem busca excelência no cuidado com a visão. 

Conteúdo enviado por Oficina das Palavras – Comunicação para Negócios (ODP Comunicação LTDA Me, CNPJ 16.757.842/0001-22). Se deseja não receber mais mensagens como esta, clique aqui e informe “retirar da lista de contatos”. 

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