Dor no pescoço, lombar e ombros é comum ao final do dia, mas fisioterapeuta alerta que alongar pode aliviar o desconforto sem resolver a causa da sobrecarga
Ao fim do expediente, é comum sentir o corpo mais pesado, rígido e dolorido. Para muitas pessoas, a resposta costuma ser quase automática: “alongue que passa”. Mas, segundo a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, os alongamentos podem até ajudar a aliviar a tensão no curto prazo, mas nem sempre resolvem o que está por trás da dor.
A Dra. Mariana explica que o desconforto que aparece no fim do dia costuma ser resultado do acúmulo de horas em uma mesma posição, de esforços repetidos ou de pouca variação de movimento ao longo da rotina. “O corpo vai se sustentar como consegue durante o dia. Quando a demanda diminui, a tensão fica mais evidente. É nesse momento que a dor costuma aparecer”, afirma.
A percepção de que alongar resolve tudo, ainda é muito comum, mas a dor musculoesquelética tem causas mais amplas. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que as condições musculoesqueléticas afetam cerca de 1,71 bilhões de pessoas no mundo e estão entre as principais causas de dor persistente e limitações funcionais. A dor lombar, sozinha, atingiu 619 milhões de pessoas em 2020, com projeção de chegar a 843 milhões até 2050.
Segundo a Dra. Milazzotto, os alongamentos podem trazer uma sensação de alívio, reduzindo temporariamente a tensão. No entanto, isso não significa que a causa da dor foi protegida. “Se uma pessoa passou o dia todo com sobrecarga postural, usando a musculatura de forma repetitiva ou permanecendo tempo demais sentada, o alongamento pode aliviar, mas não corrige sozinho o padrão que gerou o problema”, diz.
Ela destaca que, em muitos casos, a dor no fim do expediente não está ligada apenas ao “músculo curto”, como se costuma imaginar. Fraqueza muscular, compensações posturais, falta de mobilidade e controle de movimento também podem estar envolvidos. “Nem toda dor é falta de alongamentos. Às vezes, o corpo está exigindo força, pausa, ajuste e melhor distribuição de carga”, explica.
Quando o corpo começa a cobrar
O corpo costuma dar sinais antes de a dor se tornar um problema maior. Pescoço travado, ombros elevados, lombar incomodando, sensação de desconforto ao levantar da cadeira ou desconforto que piora ao longo da semana podem indicar sobrecarga acumulada.
Para quem trabalha no escritório, estudos mostram que dor e desconforto musculoesquelético são frequentes e tendem a se intensificar perto do fim da jornada. Nesses casos, a repetição diária do padrão pode tornar o incômodo cada vez mais previsível, e mais difícil de ignorar.
Para um fisioterapeuta, o risco é naturalizar esse sofrimento. “Muita gente acha que sentir dor no fim do dia é normal. Mas não é”, afirma.
O que fazer
O alongamento pode continuar fazendo parte da rotina, desde que não seja visto como única resposta para a dor. A especialista orienta que o cuidado com o corpo inclua também pequenas pausas durante o dia, variação de posição, fortalecimento muscular, melhoria da mobilidade e ajustes na ergonomia.
“Se a dor aparece todo dia no fim do expediente, se volta sempre no mesmo lugar ou se piora ao longo da semana, vale investigar o que está sobrecarregando o corpo. Às vezes, o que uma pessoa precisa não é de mais alongamentos, e sim de reorganizar a forma como se move e sustenta a rotina”, conclui Dra. Mariana.







